sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Para onde?


Para onde?



Menino, corre,
menino se esconde,
menino não morre;
menino, para onde?

Tira tua face estampada,
da página cinzenta do jornal,
o que fazes na madrugada,
meu pequeno marginal?

Guarde-se sob a ponte,
embrenhe-se pelo mato,
estreite seu horizonte,
até o próximo assalto.

Proteja-se menino,
que o destino, o fez ladrão,
um grão tão pequenino
levando estilete na mão.

Menino fique à espreita,
não saia ali do morro,
ande sempre pelas sombras,
e não grite por socorro.

Menino corre,
menino se esconde,
menino não morre;
menino para onde?

Menino


Menino


Meu filho, menino,
descendo a ladeira
passeando pelo mundo,
qual é teu destino?

Meu filho querido,
lá vai meu traquina,
com peito destemido,
cruzando a esquina.

Se apronta, meu pequeno,
que o dia vem vindo,
olhando-me com olhar sereno,
vejo, então, como és lindo.

Menino, acorda, é de manhã,
levanta, o dia te espera,
tem farinha e chá de hortelã,
faz frio, mas é primavera.

Corre, corre, meu danado,
saiba que o tempo não espera,
teu uniforme tá passado,
vista tua blusa amarela.

Vá, então, meu menino,
qualquer coisa, grite socorro,
tu sabes como é querido,
pela gente aqui do morro.

Na volta, tem boas novas,
e podes também jogar bola,
se tiver boas notas nas provas,
e muito sucesso na escola.

Menino, empina o papagaio,
brinca com tuas bolinhas de gude,
saiba que de casa sempre saio,
pra fazer por ti, o que ainda não pude.




Meu pobre menino,
te peço que não desespere,
se aquele tecido grã-fino,
não foi feito pra tua pele.

Já és grande, não chore,
tome meu colo, menino travesso,
o mundo é mesmo assim, não se amole,
a vida é boa, mas tem preço.

Não se deixe enganar, meu querido,
com as tolas propagandas da televisão;
não fique assim, tão sofrido,
querem apenas, te vender ilusão.

Não se perca, por favor, por aí,
tu bem conheces o caminho de casa,
e estarei sempre aqui,
para acolher-te sob minha asa.

Menino, não perca tua ingenuidade,
conserva-te criança, assim, desse jeito,
e mesmo que avance tua idade,
te abrigarei em meu peito.

Levanta-te da mesa do bar,
venha meu velho moleque,
te levo, então para o lar,
para curar teu pileque.

Não se assuste, meu pivete,
o mundo, às vezes, ameaça,
guarde, pois, a gilete,
pois se é caçador, também se é caça.

Menino, me conta o segredo,
me diga logo o porquê,
tanta revolta por não ter o brinquedo,
anunciado na tevê.

Menino, deixe de rixas,
ainda viramos o jogo;
por que apostar suas fichas,
numa fria arma de fogo?

Pelas praças


Pelas praças


No chão da praça da Rodoviária,
vem gente de todo lugar,
Congonhas, Pirapora e Januária,
vem gente da Serra do Mar.

Pelo coração da praça Sete,
vem o bêbado e o pipoqueiro,
menino vendendo chiclete,
todos num grande viveiro.

Pelas veias da praça da Estação,
trafega o jornaleiro e o camelô,
trabalhador faz manifestação,
sob os ruídos do metrô.

Nos jardins da praça da Liberdade,
se enraizam as flores do poder,
do mundo novo, sem caridade,
onde a lei é matar ou morrer.

Apelo final


Apelo final



Vou jogar moedas no lago
e fazer algum pedido,
ver se Deus conserta o estrago
que deixou o rio fedido.

Vou rogar aos orixás
e fazer muita oração,
passar a morte pra trás
e cantar outra canção.

Vou acender uma vela,
e fazer uma mandinga,
vestir camisa amarela,
beber água da moringa.

Vou lavar os pés no mar,
carregar patuá no pescoço,
fugir dos jogos de azar
e usar colares de osso.

Vou beber em todo dia santo
e jejuar no carnaval
vou me cobrir com o manto
em mais outro ritual.

Vou pedir, então a Deus,
apenas duas estrelas no céu,
o brilho, enfim, dos olhos teus
o grafite, um pedaço de papel.

Tic-tac


Tic-tac


Tic-tac
A noite insone
Tic-tac
o mosquito maldito
Tic-tac
o bêbado que passa
Tic-tac
o vizinho que geme
Tic-tac
o suor pelo rosto
Tic-tac
o medo do pesadelo
Tic-tac
o frio na espinha
Tic-tac
pelo dia inteiro
Tic-tac
pela madrugada adentro
Tic-tac
o urro do patrão
Tic-tac
o barulho do vento
Tic-tac
o passo do ladrão
Tic-tac
O coração explode,
o relógio pára
e o tempo não.

O vírus letal


O vírus letal



É o vírus letal
que assola o planeta,
deixa o paraíso infernal,
coisa de Deus ou Capeta.

O ser virulento,
que envenena o mundo,
contamina o vento
e o oceano profundo.

A coisa pestilenta,
que a vida encerra,
uma nova tormenta,
que balança a Terra.

A praga maldita,
que devasta floresta,
quer matar e ficar rica,
e da morte, faz festa.

Dez reais


Dez reais.


Como posso proteger Maria,
o Pedro, o Paulo e a Tereza,
como posso criar minha cria,
se há dez reais sobre a mesa?

Como posso caminhar decente
e manter a luz acesa,
como posso escovar o dente,
se há dez reais sobre a mesa?

Como posso ficar doente,
como aplacar a tristeza,
insistir em ser gente,
se há dez reais sobre a mesa?

Como posso adormecer meu filho,
se falta isso, falta aquilo,
se há dez reais sobre a mesa,
como posso viver tranqüilo?

Como posso comer o feijão,
como posso ter alguma certeza
se ainda não comi nem o pão,
se há dez reais sobre a mesa?

Dualidades


Dualidades


O acaso da fecundação,
a semente na terra,
o romper do embrião,
no vale, na serra,
em qualquer estação,
a água, a chuva,
o orvalho, o germinar,
a magia da vida
condenada a ressuscitar.

O ocaso da devastação
a gente na guerra,
o rosnar do canhão,
no céu, na terra,
em qualquer ocasião,
o urânio, o plutônio,
o napalm a mutilar,
a máquina da morte,
programada para exterminar.

Dualidades


Dualidades


O acaso da fecundação,
a semente na terra,
o romper do embrião,
no vale, na serra,
em qualquer estação,
a água, a chuva,
o orvalho, o germinar,
a magia da vida
condenada a ressuscitar.

O ocaso da devastação
a gente na guerra,
o rosnar do canhão,
no céu, na terra,
em qualquer ocasião,
o urânio, o plutônio,
o napalm a mutilar,
a máquina da morte,
programada para exterminar.

O bicho


O bicho



O bicho urbano
caminha pela cidade,
com passo de humano
e olhar de selvagem.

O bicho urbano,
o monstro vaidoso,
articula outro plano
com o jeito tinhoso.

O bicho danado
que anda no asfalto,
da rua ao Senado
faz guerra ou assalto.

O bicho avareza
que chafurda bem fundo,
devora a mesa,
miserando o mundo.

Sete horas


Sete horas.

Já são sete horas,
a noite chegou,
daqui de dentro do quarto,
não vejo o que se passa lá fora,
quem sabe outro assalto,
mendigo pedindo esmola,
talvez a mãe que suplica
pelo filho que chora.

Já são sete horas,
o dia se foi,
as portas se fecham,
os homens se vão,
encerram o trabalho,
até amanhã ao patrão,
com o parco salário,
a fome de pão.

Já são sete horas,
a fábrica apita,
a cidade transborda,
muitos já vem,
muitos vão-se embora,
antes do sonho se acorda,
atados ao ritmo da hora.

Já são sete horas,
e os passos se apressam,
os olhares se prendem
na cadência retilínea dos ponteiros
de milhões de relógios;
o tempo transcorre,
o tempo que passa,
o tempo que morre.

Já são sete horas,
os faróis se acendem,
os olhares reluzem
no emaranhado das multidões,
muitos vão pelos bares,
muitos se embalam nas televisões,
em todos os cantos,
em todos os lugares,
quitam as vidas - em prestações.

Já são sete horas,
uns permanecem nas ruas,
outros recolhem-se aos lares,
muitos, sem colo, mal dormidos,
são atropelados no asfalto,
outros, insones, na calçada fria,
planejam o assalto,
à espera de um novo dia.

O samba


O samba


O samba
que requebra a mulata,
que faz escorrer do corpo - o sal,
vem dos chocalhos da mata,
dos índios e dos maracás,
das violas, das cordas de Portugal,
dos batuques, dos terreiros
vem dos cantos de Iemanjá.

Os sons da terra,
que atravessam os oceanos,
batuques de festa,
batuques de guerra,
unem os povos
e os meridianos.

Samba
que envolve a alma da moça,
batuque de sonho,
batuque de vida,
batido que quebra a louça,
sacode o povo na avenida.

Samba que sobe o morro,
na voz da gente que quer cantar,
na voz de quem pede socorro,
tocando pandeiro, marimba e ganzá.

Herança de quilombola,
que tocava o roncador,
o branco empresta a viola,
o preto toca o tambor.

Samba que sobe o morro,
que canta a alegria
e afugenta a dor,
rasga a noite
varando o dia,
despertando a libido
e trazendo o amor.

Samba da gema,
samba original,
traz o canto de Tupã
do fundo do matagal,
entoa a força de Iansã
e a história ritmada
nos barracos de Adoniran.

Saudade escrava


Saudade escrava


Descem p'ros mercados e feiras,
de corpos nus, cansadas,
olhos suados, encharcando as coleiras,
desembarcam escravizadas.

Descem p'ros mercados e feiras,
dos portos aos canaviais,
derretem-se nas caldeiras,
e varam noites inteiras,
inventando carnavais.

Jovens pérolas da noite,
encantam os sonhos dos feitores,
e ainda nem libertas do açoite,
caem nas garras de seus senhores.

Assim o branco ordena,
chamando o capitão-do-mato,
fazendo jogo de cena,
quer preta de fino trato.

Sob as sedas da velha Europa,
estupra o ventre da mãe nagô,
o bafo doce do engenho, então assopra,
a lágrima de sal que derramou.

Terra doce,
mar de sal,
se cedo ainda fosse,
não fosse a profundeza abissal,
voltariam ao que se afastou
num grandioso ritual.

Súplica


Súplica


Oh Deusa dos negros,
onde fitas esse olhar de amargura?
Revela, enfim, teus segredos
dos veios da vida, da semeadura.

Oh Deusa eterna,
esculpida no ébano,
revela o mistério
do sangue derramado;
deixa-nos ler essa íris,
do teu olhar encantado.

Deusa dos negros,
da outrora terra desgarrada,
por que morrem teus filhos,
com as mãos na enxada?

Da velha pátria amada,
apenas o sonho restou,
o beijo da sereia encantada,
a poesia que naufragou.

Adeus África mãe,
as correntes de ferro
desatam meu amor por ti;
ainda volto um dia,
nas asas da cotovia,
no canto do bem-te-vi.

Oh Deusa dos pretos,
por que desvendaste as moradas?
por que condenaste teus filhos
ao inferno de mãos amarradas?

Teu ventre rasgado
ao som das baionetas e dos canhões
profanam o solo sagrado,
onde repousam infinitas gerações.

Oh Deusa mãe
por que abandonaste tua criatura
à própria sorte,
por que lançaste teus homens
à travessia da morte?

Por que Ó Rainha das estações
condenou teus mais bravos guerreiros
aos porões do tumbeiros
das sombrias embarcações?

O mar salgado
o mar tão sedento,
engole tantos homens
ao simples sopro do vento.

O mar navegado,
carrega, assim, noite e dia,
o batismo e o pecado
e o homem-mercadoria.

Oh Deusa do ébano
que criaste a noite,
por que permitiu a senzala
e a violência do açoite?

Por que sepultou nossos homens
nos valas abertas dos canaviais?
Por que condenou à miséria teus filhos
nos caminhos do ouro das minas gerais?

Amor na prateleira


Amor na prateleira

Pois diga então,
Qual o teu preço,
Que te darei
Meu endereço
Te amarei em uma hora
Num amor sem fim
Ou começo
Te beijarei na chegada,
E ao ires embora,
Nem ao menos adeus,
Pois não mais te conheço.

O lençol de Luzia


O lençol de Luzia


Da janela da casa
flameja o lençol de Luzia,
como bicho de asa
a revoar a fantasia.

Das cortinas do quarto
o aroma que ardia,
a nudeza do ato,
a natureza sacia.

Lençol de flores,
pendurado na janela,
marca de mil amores,
na pétala amarela.

Lençol que revoa ao vento,
espalha o pelo e o cheiro,
embriaga o pensamento,
desejo de amor derradeiro.

Lençol que ao tempo sacode,
revela noites não dormidas,
revela o que o desejo pode,
entre as belas adormecidas.

Tecido de trapo,
tecido de seda,
embriaga quem desce,
pela alameda.

Os sonhos revoltos
na dança dos panos,
são bichos soltos,
nas rugas dos anos.

Estendida alegoria,
e um porte triunfal,
revoa o lençol de Luzia,
sobre o imenso varal.

Quem dirá?


Quem dirá?


Será que é loucura
será que é fantasia.
seguir sempre a estrada
que o olho não via.

Será que é pura sorte,
será que é azar,
se encontrar com a morte,
na beira do mar.

Será que é descanso
será que é fadiga,
pescar à beira do rio manso,
labutar nas trilhas da vida.

Será que é ironia,
será que é por acaso,
o mundo entregue à orgia,
das eternas forças do atraso.

Será que é acidente,
será que é sina,
o velho caminhar doente,
sob os olhos da menina.

Será que é estilhaço,
será que é comprimido,
pedaços do peito de aço,
lágrimas do olho de vidro.

Será fantasia,
será que é loucura,
teu corpo claro, tão jovem,
a sombrear a noite escura.

Será que é vício,
será que é solidão,
buscar algum artifício
prá consolar o coração.

Por quê, então, será
que todo meu sangue esquenta
mesmo que meu peito gele,
quando sinto se aproximar,
a tua formosa pele?

domingo, 16 de setembro de 2007

Teu corpo




Teu corpo
(Música: Giovani Furlan
Letra: Marcos Vinícius.)


Teu corpo é paisagem
pendurada na janela,
é quase miragem,
a imagem mais bela.

Teu corpo, tão perto,
é viagem,
visão do paraíso;
teu porto, tão certo,
de passagem,
faz-me perder o juízo.

Teu corpo, à flor da pele,
dos pés à cabeça,
é infinita beleza;
do vulto da tua nudeza
não há quem se esqueça.



Música (áudio)




sábado, 15 de setembro de 2007

Introspecção




Introspecção



De nada adianta o lamento,
a vida é mesmo assim,
se me entrego ao pensamento,
me recolho dentro de mim.

Por mais que percorra estradas,
ou que atalhe o caminho,
atravessando encruzilhadas,
ainda assim, estarei sozinho.

E quando me perder no escuro,
procurando o que não vejo,
será do passado, não do futuro,
o tremor daquele beijo.

Quando se fecharem os olhos, de vez,
e sobre mim, se trancar a porta,
pagarei o preço da estupidez,
com o peso da alma morta.

Pressão alta



Pressão Alta


Meu coração,
nau sem rumo,
a velejar,
atravessa calmarias
e temporais,
beijando sereias
no porto do cais.

Meu coração,
rua estreita,
fácil de atravessar,
é conversão à direita,
impossível trafegar.

Meu coração,
porta aberta,
difícil penetrar,
carrega a hora certa,
que pode atrasar.

Meu coração,
casa abandonada,
o dia inteiro é festa,
se ainda resta,
o beijo da namorada.

Desencontro fatal




Desencontro fatal


Talvez quando voltares
não mais me encontre,
mesmo que vasculhe os lugares,
onde estivemos
ainda ontem.

Talvez, quando de novo,
por aqui, você passar,
mesmo que procure entre o povo,
não mais estarei
onde sempre pude estar.

Quando, enfim, você chegar,
caso procure por mim,
não mais me achará
onde sempre
costumava andar.

Mesmo que venha ligeiro,
rasgando o céu,
de sul a norte,
cruzando o mundo inteiro,
ainda perderá para a morte.

Caminhos turvos



Caminhos turvos


Talvez seja sorte,
talvez seja tormento,
esperar pela morte,
a qualquer momento.

Talvez venha do sul
talvez venha do norte,
o gigante azul
do firmamento.

Talvez seja destino
ou obra do acaso
a fome do menino,
a lógica do atraso.

A vida talvez seja
o pagamento fora do prazo,
o querer saciar
o que se deseja,
o afogamento no lago raso.

O tempo



O Tempo


Entre os dedos
a cada momento,
carregando os passos
a todo instante,
nas ondas do mar
ou no sopro do vento,
transcorre,
caudalosamente,
o tempo.

No andar que tem pressa
e corre,
no passo cansado
que caminha lento,
caminha aquele
que nunca morre,
o grandioso
e magnífico tempo.

Tempo que germina
e perece
onde a existência transcorre
tempo onde se reza
uma prece
tempo onde se embriaga
num porre.

Entidade suprema,
que derruba os impérios
e apaga os vulcões,
tempo que desvenda mistérios,
rasgando as bandeiras,
atiçando a chama
das revoluções.

Força mãe,
força motriz,
força que empurra os ponteiros,
que faz dizer
o que não se diz,
transformando a mentira,
em fatos verdadeiros.

Tempo que cria
e corrói quimeras,
tempo alienado do homem,
que tem preço,
tempo que transcorre em eras,
tempo que vira
o mundo do avesso.

Gigante brutal
e invisível,
viaja pela eternidade,
sem endereço,
recriando eternamente,
a história incrível
que não tem fim
ou começo.

O circo chegou




O circo chegou



Naquele dia,
o circo chegou.
Veio João, veio Maria,
A cidade se alegrou.

Dizia o grandalhão:
Senhoras e senhores,
Muita atenção
Hoje tem espetáculo
no final da rua das flores.

Veio o macaco,
veio o leão,
veio toda a bicharada,
pra mostrar a Criação.

Elefante subindo escada,
cachorro jogando bola,
o palhaço marmelada
o mágico e sua cartola.

Veio um monte de artista,
veio até domador,
veio malabarista
e um belíssimo ator.

Veio o trapezista
coisa que não se imagina,
a mulher que engole fogo
e a dança da bailarina.

Alegrou a criançada,
daquela cidade de sorte,
que riu da palhaçada
e viu o globo da morte.

Cantiga



Cantiga


Menina bonita
com o rosto pintado,
com laço de fita,
já quer namorado.

Aura de anjo,
batom vermelho,
sorriso perfumado,
na frente do espelho.

Com os olhos brilhantes
sobre a mão pequenina
sonha com diamantes,
a jovem menina.

Com cheiro de aurora
e jeito de flor,
acredita que agora,
está pronta p'ro amor.