sábado, 15 de agosto de 2009

Lágrima de amor


Lágrima de amor



O amor não se implora,
mesmo quando
o corpo chora
e a alma se faz doer.

O amor não se suplica,
ainda quando
quem parte, fica,
a nos corroer.

O amor não se mendiga,
ainda quando
a sede antiga
quase faz morrer.

O amor não se insiste,
e por mais
que seja triste,
é preciso viver.

Meninos de Gaza



Meninos de Gaza



Com que sonhas menino,
Em teu sono palestino,
Nesta guerra de fronteiras,
Ante o estrondo violento,
Onde o sopro do vento,
Faz das bombas, bandeiras?

Como sonhas pequenino,
Nesta terra, clandestino,
Na noite quase sem futuro
Na noite sempre acesa,
Como sonha, indefesa,
Uma infância sem muro?

Se traz o nó na garganta,
Não te dão a terra santa,
Como se pode sonhar?
Talvez derretam os blindados
Já não haja mais soldados,
E ainda te reste o mar.

Se não temes infantaria,
Nesta noite que é dia,
O que tens, pois, de juízo?
A pedra, foguete, o morteiro,
Não importa o mundo inteiro
Menino sem paraíso.

Em que sonho sem escolta,
Em que grande revolta,
Poderá sonhar em casa,
Sem o barulho dos tanques,
Sem os mísseis dos ianques
Nesta faixa de Gaza?

Onde cabe o sonho sonhado,
O cessar-fogo acordado,
No solo, no colo de Israel,
Durma em paz, ó menino,
Em teu sono palestino,
Pelas fileiras do céu.

Teu passo - de samba




Teu passo – de samba.



Enquanto durar
O ensaio da escola
Desligo a novela
Me esqueço da bola
Só pra te ver rebolar
Neste pátio do samba
Que é teu altar.

Ah... nesta roda
Que é tua
Que é minha
A fantasia -
Nesta máscara
Triste
Escondo a alegria
De te ver desfilar.

Vale um ano
Vale a pena
Mais que natal
Ou novena
Ver tua pele morena
Em meu carnaval.

Alegoria
Você me levou
Perdi compromisso
Futebol, a bebida,
Uma nota de dez
Hoje sou submisso
Sou avenida,
Por sob teus pés.

É tarde


É tarde.


Não faça
Alarde
Agora
É tarde
Pra recomeçar.

Esperei-te
Amor,
Por atalhos,
Curvas,
Estreitos,
Canais,
Espreitei
Entre a gente,
Em santuários,
Pelos carnavais.

Aguardei
Calendários,
O tempo
Apressado
Caminhando
Lento;
Desfiz-me
Do sonho,
Ao morrer
Na espera
Ao relento.

Agora é tarde,
Meu amor,
Adeus,
Não faça
Alarde
Perdi-me
Nas trilhas
Dos passos teus.
É tarde.

Gesto Derradeiro


Gesto derradeiro


Vai agora
Meu amor
Para sempre
Vai para
Nunca mais
Vai de vez,
Mutila-me
A alma,
A carne
A lucidez.

Meu corpo
Ainda quente
Já ressente
A ausência
Do teu
Em meu
Ventre
Você para
Sempre
No fruto
Que me deu.

O que farei
Agora,
Quando
A chama
Já morta de ti
Se arder
Em mim,
O que restará
Da madrugada,
A cama,
O umbral da porta,
Por onde
Não voltará.

Ah... meu amor,
Sobre teu rosto frio,
Derramo-te
As lágrimas,
Leitos
Fecundos
Do nada.
Resta o vazio,
O vazio de ti,
Ausência suprema
Dor maior
Que me faz
Sucumbir.

Adeus para sempre
Amor proibido,
Leva-me a alma,
Meu doce bandido,
Dou-te
Meu último toque,
Gesto derradeiro,
Ah... não se vá,
Não se vá
Meu querido.

Vem
Meu amor
Se levanta,
Arranca a voz
Da garganta
E diz que me quer
Pela última vez.
Vem,
Meu amor,
Me acalanta,
Meu vício,
Doce ofício,
Que não
Saberei
Desaprender.
Vem
Fantasma
De mim
Por cada canto
Do meu ser.

Sente
Outra vez
Meu corpo
Que treme
Na palidez
Da tua pele,
Meu amor sangue,
Amor morto,
Clandestino,
Devolva-me,
Oh Deus,
De uma vez,
Meu grande bem,
Meu perverso
Menino.


(Para o dia em que Maria ficou viúva)

À pele-preço


À pele-preço



Cabelos longos e pretos,
os pés de princesa,
a tatuagem na coxa,
o piercing no umbigo,
a fragrância da nuca,
o aconchego do ventre,
a pintura no dedo,
as curvas laterais,
as entranhas do corpo,
os relevos e planícies,
os pelos da pele,
as tonalidades da cor,
o cheiro do sexo,
as peripécias do amor,
são nomes das deusas,
musas, belezas,
se entregam
a seu poder – sem pudor,
oferecem carícias,
milhões de delícias,
posições liberais,
tem de todos os preços,
fantasias, adereços,
nos classificados dos jornais.

Pobre menina


Pobre menina


Minha pobre menina
Que nasceu por aqui
Nesta América Latina
Assim tão pequenina
Já tem que pedir.
Minha doce menina,
Das estradas, das esquinas,
Assassinas,
Por onde terá que dormir.

Minha doce menina,
Assim já tão cedo,
Já temes de medo,
Do mundo que vê,
Mas na vida se tem
Sorte,
Dribla-se a morte,
Sem ter o que comer.

Minha linda menina
Que o tempo faz crescer,
Nesta terra seca,
Neste asfalto sem grão,
Deixaste a boneca,
Foste à cata de pão.

Minha tenra menina,
Que à Terra a vida traz,
Tão semente, tão pequenina,
Tão duradoura, vida fugaz.

Menina de pano
Menina de trapo,
Menina farrapo
Menina menina,
É sorte,
É sina,
Este sangue que corre,
Esta veia latina

Minha magra menina,
Que a cada dia renasce
É a filha da fome,
Da sociedade de classe,
Não é obra do destino,
Ou seleção natural,
O martírio tem nome,
E é obra do capital.

Minha menina crescida,
Que é fato de jornal,
Minha menina atrevida,
Pequena marginal,
Tornou-se destemida
O mundo a quis assim
E acaso preciso,
Já que perdeu o juízo,
Derramará o sangue,
Até o fim.

Maria do Córrego

Maria do Córrego



Maria do córrego
Já não mais tem
Água doce
Nem ramos de flores,
Só lixo humano
Fétidos odores.

Maria do rio
Menina da ponte
A natureza está morta
Seca na fonte.

Maria do beco
Nada sobrou do rio
O leito está seco
Teu coração está vazio.

Menina do barraco
Sem telha
Da parede de pano
Desgarrada ovelha
Do centro urbano.

Maria
Por sobre
O filete do esgoto,
Melhor talvez
Fosse a vida
Se o destino
Fosse outro.

Sangue revolto


Sangue revolto.


Corre
Em minha veia
Latina
Em minha
Sub-pele tropical
O sangue, a genética,
Da carnificina
Já dos tempos
De Cabral.

Corrre
Por esta veia turva
O sangue derramado
De cada ancestral
O sangue Pindorama
O olhar de Pacha Mamma
A gotejar.

Corre
Febril
Por esta veia morta
O fogo eterno
Que não pode se apagar
Corre por essa via torta
O jogo do inferno
Que não quer desatar.

Inunda as artérias,
Vai morar no coração,
Sangue-preto
Sangue-gueto
Sangue-vermelho
Arco-íris de sonhos
Na mira
Do espelho.

Ecoa pelas veias,
O grito de Zumbi
O silêncio
Dos gritos calados
Ainda a repercutir
Sangue-índio
Sangue Tupã,
O sol que na pele
Se apaga
A cada manhã.

Ainda o sangue,
Ainda o suor,
Ainda o sal
Da luta maior
No pulso, no peito,
Armadilhas,
Emboscadas
No rastro das trilhas,
Carnes
Dilaceradas.

Nos corrimãos
Destas veias,
As marcas digitais,
De Maria e Clementina,
O sangue - Severina,
Nesta América Latina,
Sem nome algum.

Corre
O sangue-cangaceiro
Corre no palco do tempo
Na seiva da terra
O sangue da guerra
De Antônio Conselheiro
Derrama
Sangue-preto,
Sangue-vermelho.

Corre
Meu sangue-zapatista,
Meu sangue-Corumbiara,
Eldorado dos Carajás,
Sangue sem paz
Corre meu sangue
Encharcado
Corre pelas vielas,
Pelas vilas, favelas,
Corre sangue-sacrifício
Meu sangue animal,
Corre meu sangue
Nas celas
Desta aldeia global.

domingo, 14 de junho de 2009

Dose única


Dose única


Se a visão
Os olhos
Se cansam
De ver
Se a febre
Na tez
Reclama
Em arder
Se arranco
O cabelo
Se fico
Vermelho
Desespêro
Então
Nesta folha
Que é leito
Já sem
Escolha
Me deito
Coração
Se acalma
Se deixo
Um risco
Um traço
Rascunho
De sonhos
Num pedaço
Da alma.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Palavras


Palavras


São tantas
Palavras
Palavras tantas,
São simples
Projetos
São plantas,
Do que não
Aconteceu.
São tantas
Palavras
Palavras tantas,
Línguas pagãs,
Mensagens santas,
Espalhadas
Por sobre a mesa,
São muitas,
São formas,
Disformes,
Estilos,
Grafias,
Que vibram
E saltam
Dos contos
Das poesias,
São tantas
Palavras
Palavras tantas,
Receitas de sucesso
Fórmulas e
Magias
Por sob
O clarão do néon,
O jornal
Que anuncia
Que fará
Tempo bom
São palavras
Palavras tantas
Palavras
Em linhas,
Em links,
Doces recados,
Infinitas nos livros,
Nos surrados
Teclados
Palavras tantas,
Palavras-convites,
Endereços,
Arquivos,
O universo humano,
O tempo distante,
São palavras
Nas prateleiras
Da estante.

Beira de rio


Beira de rio.
(Música: Gelson Luiz -
Letra: Marcos Vinícius.)



Vem rapaz
da beira do rio,
aqueça esse frio,
se for capaz.

Vem,
está na hora,
o dia vai
embora,
teu barco
é vazio.

Vem
matar minha
sede,
ata-me à rede
acolhe
meu cio.

Vem
traz a lenha,
decifra-me a senha
que guardo
pra ti.

Vem
em meu braço,
me afoga em
cansaço,
depois podes
partir.


video

Reza Brava


Reza brava


Já implorei
Pra tudo que é santo,
Orei, orei,
Orei tanto,
Penhorei a minha fé
Rezei tudo que
É novena
Pra ver o quanto
Vale a pena
O amor desta mulher.

Já tomei
Mil formulas e remédios,
Pra curar desta moléstia
Que se colou em mim;
Tomei chá de cicuta,
Dormi em casa de puta
E morri no botequim
Um dia mato a peste,
Arrancando-lhe a veste,
Pra livrar-me do fim.

Já editei
Dez mil versos
Entoei meu pobre canto
Derramei todo o pranto
Que ela não queria,
Não adiantou penitência
Não valeu o remédio
O sacrifício,
Não vingou o santo,
Ainda riu da poesia
Dos meus ossos do ofício.

Já chorei tempestades,
Inundei de lágrimas
Minha alma errante,
Hoje sou retirante
Nos caminhos perdidos,
De quem não me quer,
Mas ainda sigo adiante
E penitente descalço,
Não largo do encalço
Desta mulher.

Concretude


Concretude.



São de vigas estas veias,
De concreto o pensamento,
Do sangue que escorre,
Faz-se a face de cimento.

É de asfalto esta pele,
De alicerce, o peito,
Arame, areia,
Argamassa de sujeito.

Jardins de sentidos,
A grande avenida,
São olhos, ouvidos,
Becos sem saída.

Túneis e vasos,
E pontes de ossos,
No berço das ruas,
Simples destroços.

São fios de carne,
Que desligam o coração,
Postes que se apagam
Ao cruzar a contramão.

Parto


Parto.
(Música: Gersonn Jacques
Letra: Marcos Vinícius.)



Quisera
escrever alegria,
Mas os versos
Eram só dor
Quisera
fosse a poesia,
Apenas rimas de amor
Mas desta vez
Não deu
Seja lá o que for,
Mas o eco
Do grito meu
Um dia
Se abre em flor.

video

Fio da navalha


Fio da navalha


Bate assim
Meu coração
Máquina fraca
Bate assim
Parece matraca
Parece bailar
Bate assim
Meu coração
De aço
Meu coração
De lata
Rasga meu peito
Em pedaço
Meu coração
Arteiro
Meu coração
Faca
Bate assim
Uma batida forte
Uma batida falha
Escapa
De outra morte
Já no fio da navalha.

Visão


Visão


Te vi
Dando saltos mortais,
Como não havia
Visto
Nunca jamais.
Te vi
Atravessar a corda bamba,
Pelo fio da navalha,
Te vi
Saltando abismos
Atravessando os ares
Como tiro na batalha
Te vi
Saltando arranha-céus
Disputando a travessia
Das andorinhas e pardais
Te vi
Domando nas selvas
Os mais ferozes animais.
Te vi
Enfrentando as trevas,
Como ninguém
Nunca o fez,
Atravessando oceanos,
Ferindo monstros
Com intrepidez.
Te vi
Na valentia
Dos impérios
Na fúria dos deuses,
Na alma da poesia
Na força dos adultérios
Te vi
Como quem vinha
Do além não desbravado
Com passos firmes,
A caminho do nada,
Te vi
Enfrentar a morte
Te vi
Cruzar a estrada.
Te vi
Era a luz do pensamento,
Estrela-mãe do firmamento,
Mistério não revelado
Era a pressa do tempo
Em tornar-se passado
Era o ciclone,
Era o buraco negro,
Que engoliu todo o mundo
Era toda a eternidade,
Num milésimo de segundo.

Farol


Farol



É poeira de estrela,
Luz do verão,
Vontade de vê-la,
Brilhar no coração.

É vela acesa,
Ceia na mesa,
Desejo de tê-la,
Meu vinho com pão.

É onda do mar,
Marujo, jangada,
Minha doce Yemanjá,
Fez-se namorada.

É vento de tempestade,
Tufão a balançar,
É tábua de salvação,
Que não deixa naufragar.

domingo, 7 de setembro de 2008

Em mim


Em mim



Dê-me seu sangue
Na veia,
Deixe-o circular,
Envolva-me em tua
Teia
Para ressuscitar.
Dê-me teu fôlego
Para que respire
Teu ar.
Devolva-me o fogo,
Preciso queimar.


Dê-me teus ossos,
Para que meus
Destroços,
Possam se refazer
Empresta-me a alma,
Não quero morrer.
Ah...
Dê-me teu jeito,
Faça bem feito,
Senão, simplesmente,
Deixo de ser.

sábado, 28 de junho de 2008

Partida



Partida

(Música: Giovani Furlan
Letra: Marcos Vinícius.)

Quando partires
enfim,
leva o arco-íris
as cores
leva as flores
do nosso jardim!

Leva as cartas
que não dizem mais
sopra a velha poeira
de muito tempo atrás
dobra os lençóis
e desliga o gás!

Quando te fores
de vez,
leva o retrato,
teu perfume barato
paga as contas do mês!

Limpa as gavetas
fecha as cortinas
e a porta do quarto;
se vais, é fato
não falo,
me calo e acato.

Ao saires para sempre
deixa a chave sobre a mesa,
deixa o que é meu
e os seus olhos nus
devolva-me a lembrança
e apaga a luz!

video

domingo, 13 de abril de 2008

terça-feira, 11 de março de 2008

Pirâmide social


Pirâmide social


Um tem berço de ouro
Guarda no banco o tesouro
E assina os papéis
Trafega em palácios
Transita em quartéis
Do mundo é o dono
Assenta no trono
E arrebanha fiéis
É homem de negócio
O mercado é sacerdócio
Que lhe faz tão bem
Tem título de propriedade
Um palácio na cidade
Dinheiro como ninguém.

O outro não sabe ainda
Pra que lado correr
Vive na berlinda
Diz que é classe média
Que não existe tragédia
Que lhe possa ocorrer
Afinal leva a vida
Na primavera das prestações
Assim dividida
Entre outonos e invernos
De mil ilusões
Afinal tem uma quitinete
Tem acesso a internet
Praia em todos os verões.

O terceiro não tem emprego
Seu nome é sem tradição
Não tem aconchego
Foi expulso do barracão
Tem a cara da seca
Carrega a fome do agreste
Tem a pele calejada
Leva a marca da peste
Não anda pelos shoppings
Não vai a teatros,
Espetáculos ou museus
Dorme em banco de praça
Olhando pro céu
Procurando por Deus
Mas é a cachaça
A redenção do sofrimento
De existir simplesmente
Sem certidão de nascimento.

Porto




Porto
(Música: Bona Akotirene
Letra: Marcos Vinícius).



Foi sopro divino
coisa do destino
que me fez
o porto seu.

Foi obra do acaso
navegar em mares rasos
por onde
essa nau se perdeu

Foi vento do oceano
calmaria, desengano
que te atracou
ao cais que trago em mim.

Foi o canto da sereia
castelo de areia
que trouxe do mar
o teu amor, enfim.

video

O velho retrato


O velho retrato


A minha imagem do retrato
Resolveu, então, olhar pra mim
Pude ver, envelheci de fato
Mas vou até o fim.

É certo, não guardo recato,
Mas confesso que me constrangi
Também perdão não peço,
E nem desejo fugir.

Agora me olha de frente
Fitando o que sou, o que fui,
Não é o espelho que mente,
É passado gravado que flui.

Se me flerta o retrato,
Já não o vejo mais
É a sombra de mim
Em papel barato
De muito tempo atrás.

Se rouba esta imagem
Meu perfil, minha cara,
Carrega ainda o canto
Que já hoje se cala.

Esnoba meu pranto
Com cara de santo,
Sou porta-retrato,
Sou fotonovela,
Desabo pelo tempo
Na película amarela.

O Vôo


O Vôo



Por que céus voam agora
Esta parte da criação
Pra onde foi o choquinha-chumbo
Em que parte do mundo
Ele se escondeu.
Quem sabe o tropeiro-da-serra
Quem sabe o caminheiro-grande
Voaram para o paraíso
Para bem longe da Terra.

Por que céus voam agora
O tietê-de-coroa,
a águia-cinzenta,
O papagaio-da-serra,
O sabiá-pimenta
Caboclinho-do-sertão,
O carapé, o rabo-amarelo,
O fura-mato, o mergulhão.

Adeus codorna-mineira
Pinto-d’ água-carijó,
Adeus buraqueira,
Lenheiro-da-serra-do-cipó
Adeus saudade-de-asa-cinza
Papa-capim-do-bananal
Pica-pau-de-cara-amarela
Capacetinho-do-oco-do-pau

Adeus Maria-corruíra
Maria-do-nordeste
Maria-catarinense
Maria-do-Madeira
Vai-cigarra-verdadeira
Vai dançador-de-coroa-dourada
Vai saíra-apunhalada
Ao seu encontro com Deus.